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30 novembro 2010

Diálogo: exercício 6!

Olá a todos,

Finalmente consegui arranjar um tempinho para colocar aqui o post da última aula...isto de ser final de 1.º período tem muito que se lhe diga...enfim...aqui vai...


Escolhi a opção 2, de acordo com as opções que o prof. deu na aula, que era aquela em que "ele está divertido e ela genuinamente arrependida do atraso":

Tinham combinado ir ao cinema, mas ela estava atrasada, como sempre. No entanto, ele esperava pacientemente, sentado no sofá do hall do cinema e devorando um balde de pipocas deliciosamente calóricas! Ela chega muito apressada e com um ar muito arrependido, diz:
— Estou super atrasada, desculpa!
— A sério!- brinca ele - Estás? Não tinha reparado!
— Não gozes! Claro que reparaste!
— Sim...mas de certeza que ainda vamos a tempo!- ironiza ele.
— Demorei muito tempo, desculpa, é sempre a mesma coisa...nunca consigo chegar a horas!
— Oh, deixa lá...não te chateies com isso agora!
— Pois, pois...estou farta de ser assim!
Ele encolhe os ombros e diz:
— Então muda, basta quereres!
— Não é assim tão fácil, sabes bem! Mas que raios, tu nunca te enervas?
— Para quê? Vais deixar de chegar tarde, se me chatear?

Venham os comentários de quem os quiser fazer...e espero que amanhã o jantar possa ser produtivo em muita escrita!

Até amanhã (assim o espero)
Ana

20 novembro 2010

Diálogos - parte 2

Estive a pesquisar, e descobri que há três sistemas para grafar os diálogos:

1) francês
2) espanhol - italiano (usado em portugal)
3) inglês

Consultar: travessões ou aspas



Descobri também, finalmente!, a forma canónica de grafarmos os diálogos, e possíveis variações, usadas por autores contemporâneos.

Consultar: ciberdúvidas da língua portuguesa

1) Sobre diálogo e pontuação

2) Pontuação no discurso directo

3) Pontuação com aspas, outra vez

4) As aspas, outra vez

5) O ponto final antes ou depois das aspas

19 novembro 2010

Diálogos - parte 1

A pontuação dos diálogos

— Frase — disse...

— Frase? — perguntou...

— Frase! — exclamou...

— Frase... — ponderou...

— Frase — disse —, continuação da frase...
(a vírgula é sempre depois do travessão).

— Frase — disse. — Nova frase.

A pontuação dos Pensamentos

"Pensamento".

"Pensamento?".

"Pensamento!".

"Pensamento...".

segundo e-mail do docente

18 novembro 2010

ex.6 » diálogo

Na penumbra do corredor, à porta da sala de cinema, ele olhava o telemóvel, impaciente: o filme começara há vinte minutos. Escreveu nova SMS, que, mais uma vez, apagou sem a enviar. Ei-la que chega, galopante:
— Chegaste outra vez atrasada! O filme já começou — atirou-lhe, ríspido, apertando o telemóvel na mão.
— Eu sei, amor, desculpa. O carro avariou de novo...
Salomé encostou-se ao namorado, tentou beijá-lo, mas ele permaneceu imóvel: uma estátua de ferro, os olhos cravados nos dela, com força suficiente para os furar.
— Ai sim? E o que foi desta vez?
— Foi o TomTom, apagou-se... — respondeu, numa voz mimosa, afastando-se sem descolar o olhar do dele.
— Apagou-se?
— Sim, apagou-se, sei lá! Ficou tudo negro...
— Negro?!
— Sim, negro!
— E deitou fumo?
— Fumo, o quê? Não, estás doido?
— Cheiras a tabaco...
Salomé engoliu em seco.
— Olha, estavam a fumar, que queres?
— Estavam, quem? Na sala de espera da residencial?
— Fiquei sem saber o caminho! Passei meia hora às voltas... foi horrível!
— Às voltas? Ou às cambalhotas?
Salomé espreitou o relógio de pulso, nervosa; ele enfiou as mãos nos bolsos do casaco.
— O filme, já começou? — retomou ela, num tom calmo, nitidamente fingido.
— Se já começou? Acho que há umas duas ou três semanas.
Salomé e o namorado olhavam-se, sem pestanejar:
— Ai sim?... E já sabes o final?
— Sei. Ela morre.
Salomé pressentiu que ele sabia muito mais do que aquilo que dizia; desviou o olhar para o cartaz do filme:
— Ela morre? A Júlia Roberts? — perguntou, num tom nublado.
— Não. A puta.
Virou-se para ele, ofendida:
— A puta? Mas qual puta?!
— Tu!
— Eu?! Mas estás parvo ou quê?!
Voltavam a medir forças, com o olhar. Ele pousou-lhe a mão direita no ombro:
— Aposto que não é só o cheiro do tabaco que tens impregnado na pele...
Com o polegar, afastou-lhe o colarinho da camisa, revelando-se uma marca avermelhada no pescoço. Salomé sacudiu-lhe a mão, com brusquidão. Recompôs-se; contra-atacou:
— És um manso! Que querias que fizesse?
— Queria que soubesses esperar.
— Esperar o quê? Que casássemos?
— Não! Que esperasses.
— Que esperasse?! Mas não sabes dizer outra coisa?!
— Não tenho mais nada a dizer-te.
Pegou na mão direita dela, o dedo indicador cariciou-lhe ao de leve o anel e esvoaçou.
— Amanhã recebes o telefonema; por causa da viagem. Adeus! — rematou, afastando-se em direcção à saída.
— Telefonema? Mas qual viagem?! Espera!
Salomé ainda iniciou o gesto de lhe seguir no encalço; mas, mesmo antes de pousar o pé no chão, apercebeu-se de que, no corredor sombrio, ladeado por duas filas de ínfimos pontos de luz azul, apenas o coração dela pulsava... cada vez mais ténue, cada vez mais afundado naquele abismo onde, a cada relacionamento falhado, se perdia sem que ninguém a percebesse — ou se importasse.

novembro de 2010

banda sonora » anouk - lost

ex.6 » diálogo

— Então, Maria, já? Olha que ainda falta muito para a última sessão...
— Ai, Manel, tu perdoa-me! Tive um problema na charrete, nem te conto!
— Deixa-me adivinhar: um dos cavalos teve uma indisposição. Também com o perfume que usas, não me admira...
— É, é. Oferecem-me perfumes da feira, dá nisto. Mas, diz-me, o filme já começou?
— Sim, neste momento o herói já deve ter convidado uma das protagonistas para ver a colecção de selos que ele tem em casa.
— Olha que bom! O que eu precisava agora era dum herói desses, que me levasse... e me mostrasse...
— Não seja por isso, querida! Levo-te pra minha casa; o meu carro até funciona... E mostro-te, sei lá... a minha colecção de cotonetes usadas!
— Ai, que romântico! Como pode uma mulher resistir a um convite desses?
— Vamos então, Senhora?
— Com certeza, Cavalheiro. Sem demora!

maio de 2010