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04 novembro 2010

ex.3 » suspense


Mara fazia colecção de homens com óculos. Explico: recortava-os dos jornais e colava-os num caderno de linhas, nas páginas da esquerda; na página da direita escrevia uma pequena carta a cada homem que guardava.

Na sala de estar, Mara folheava o jornal do dia anterior quando o telefone tocou.

— Sim?
— Mara, escuta! Tens de fugir! — disse uma voz feminina que lhe era familiar.
— Desculpe? Quem fala?
— Sou eu, Mara! Tu! És tu! — Mara reconhecia-se ao telefone, incrédula.
— Eu? Mas eu quem? Quem fala?
— Mara, ouve, não tens tempo, fomos descobertas. Tens de fugir! — repetiu.

Mara, com o telefone na mão, ficou lívida e imóvel como um cadáver. Teria alguém, de facto, descoberto o que fizera há 8 anos? E quem lhe telefonava? Como poderia ser ela própria?

— Mara, ouve-me, foste capturada. E a única forma de escapares à pena de morte foi aceitares ir a tua casa para que, traindo-te, te possam prender definitivamente. Estás a ouvir-me? Não tarda deves estar a bater-te à porta. Não abras, Mara! NÃO ABRAS! — gritou a voz.
— Mas...?

Naquele preciso momento batem bruscamente à porta.

— Mara, Mara! Estás aí? Abre por favor — dizia a voz lá fora, num tom ofegante e por demais aflito.

Mara, a de dentro, deixa cair o telefone. Recobra o instinto felino que a define e corre até à porta para espreitar quem lhe batia assim de rompante. Confirmava-se; pelo pequeno olho de vidro, Mara vê-se no corredor, batendo à sua própria porta.

— Mara, fui descoberta! Deixa-me entrar! Ajuda-me! Não quero morrer! Ajuda-me, por favor! — repetia a Mara de fora, batendo insistentemente na porta com a mão.

Duka Tano, Mara, 27 anos feitos em Maio, viu-se perante um insólito dilema: atende à sua alma aflita, que lhe implora pela vida, para socorrê-la e tentar perceber aquela situação bizarra? Ou dá um pulo de pantera para a viela das traseiras e foge de toda aquela loucura?

A única certeza que tinha era a de que não era inocente...

março de 2010


banda sonora » >Massive Attack - "Safe From Harm"

03 novembro 2010

Exercício 3: Criar Supense- Coitado do Sr. António!

Aqui vai o meu texto da aula da semana passada... resolvi dar-lhe o título "Coitado do Sr. António", porque afinal já se tornou famoso e nem sabemos muito bem quem é.  Na minha cabeça é aquele senhor idoso, simpático e bonacheirão, que apesar de estar reformado, vai fazendo uns biscates para não perder o ritmo, porque não fazer nada também cansa....

"Ah! Que belo duche! Estou mesmo relaxada! A aula de RPM deixou-me estoirada!"  Perdida nestes pensamentos,  dirigi-me ao cacifoe quando tentei abrir o cadeado,  reparei que já estava aberto. "Não pode ser! Quem é que descobriu o meu código?" Ao abrir a porta do cacifo, ouvi o Sr. António anunciar num tom lento e arrastado:
-Vamos fechar dentro de cinco minutos!
"Coitado do senhor! Ainda se nota que não recuperou totalmente."
Baixei-me para retirar a mochila do cacifo, mas... "Que se passa aqui? Esta não é a minha mochila? Que brincadeira é esta?"
Enquanto procurava a mochila e a toalha,  alguém bateu à porta. Era o Sr. António, que me perguntou:
- Vai demorar, menina?
Não sabia o que responder nem onde me enfiar. Ele entrou e eu escondi-me dentro do duche...

Estou com umas dúvidas acerca de como colocamos as personagens a pensar...tem travessão ou temos de dizer que está a pensar...dicas...fiquei um pouco baralhada com a pontuação...

Acho que os nossos textos têm muita piada quando os lemos em voz alta, porque lhe damos a ênfase e o tom que queremos e isso enriquece muito o texto. Quando os copio, parece que não são tão fortes e que perdem a piada...Acho que podia ter ido mais longe neste exercício...pode ser que ainda vá...mas por agora fico por aqui...

Até logo
Ana